sexta-feira, 20 de julho de 2012

Intangível


Entrar sem absorver
Tocar sem obstruir
Desejar sem consumir
Conhecer sem desvendar
Perceber sem revelar
Olhar sem intimidar
Proteger sem aprisionar
Aproximar sem invadir
Afastar sem perder
Ser sem pesar
Estar sem anular
Ter sem possuir
Amar sem te perpetuar

quinta-feira, 12 de julho de 2012

...


Na véspera da espera
A madrugada alada
Vagueia calada, só
Ao encontro dos 
Corpos,  nus
Tatuados no vento
A dor à flor da pele 
De tanto, tanto amar

Nada maior


No calor do beijo
De perto provoca
Tons de desejo
E com as mãos
Pequenas
Pétalas
Pedem proteção
Em sons de beleza
Não há mais certeza
Quando já em chama
Emana o instinto
Provoca vontade
Chama a saudade
De toda ternura
Que só cabe perfeita
Numa única criatura
Chamada você

"(...) não há nada maior quando temos a verdadeira ternura e a verdadeira sensualidade numa mesma criatura". (O amante de Lady Chatterley, D. H. Lawrence)

terça-feira, 20 de março de 2012

...

o sol distante
transforma a lua
em um pedaço de luz 

...

Caminhos ocultos
Jardins secretos
Olhos despertos
Fontes abertas
Desejos, esperas
Textos, texturas
Tonalidades
Temperaturas
Sobressaltos
Desconcertos
Portas amarelas
Que transbordam
Poetas perdidos
Paraísos inquietos
Caravelas errantes
Em cores distantes
Escrevo no escuro
Respiro no vento
Da tarde noturna
Som da madrugada
Eternidade do dia
Que nasce e para
Só pra inventar
Tua presença
Em mim

...

sem alarde
uma lua delicada
descobriu o final da tarde

...

e meus olhos são teus olhos
meu coração, teu coração
minha boca, tua boca
minha pele, tua pele
nossos contornos
uma respiração
um instante
em dois

...

Desse deserto me desperto
Incerto chego mais perto
Minha aridez se faz mar
Até a sensatez desarmar
A dor se dissolver no calor
E viver de inventar amor
Nas horas que param no ar
Num tempo de só respirar
Sem se atentar ao depois
Pra voar até onde nós dois

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Um amor só


Só tenho o prazer
De voltar ao começo 
Mas chego ao meio
Do teu seio
Devaneio...
Entre tuas pernas
Sem estar, em nenhum lugar
Espero, desespero
Nada demais
E permaneço, sem saber ser
Um endereço, uma rua
Sem fim
Nem começo
No teu corpo
Assim...
Desse jeito, rarefeito
Desajeitado, em volta
Da vida, que não esgota
Nem uma gota
E inteira, sem nada em troca
Se alimenta, desse desejo
Tão sem fim
Nem volta...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

...


vastidão vazia
desencontro fugaz
cores perdidas
solidão tardia
vozes distantes
abismo que invade
o começo da tarde.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Beleza brutal

Água batendo
Deserto na rua
Suor escorrendo
Tua pele nua
Sol em silêncio
Vento no espelho
Contornos reflexos
Cores de areia
Sons desconexos
O desejo vagueia
Vestido vermelho
Sonho tão perto
Acordo distante
Tudo é incerto
Em você desperto

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

...

no silêncio da tua pele, nua
teus contornos tocam meus poros
que se abrem na tua respiração, nua
para escutar teu corpo dormir, em mim

terça-feira, 12 de julho de 2011

...

se eu pudesse
adiava a distância
só pra respirar 
a tua presença

quinta-feira, 30 de junho de 2011

...

a beleza pode ser uma cor
um toque, uma respiração
a beleza pode ser uma dor
um rosto, uma fascinação
ou, simplesmente, um afeto

segunda-feira, 27 de junho de 2011

...

desisti do futuro
esqueci o passado
inventei no presente

quinta-feira, 16 de junho de 2011

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O que de nós se perdeu tanto faz
Quanto de nós não restou se desfez
O que de nós nos sobrou tanto fez
Enquanto o que não morreu se desfaz

quarta-feira, 15 de junho de 2011

sexta-feira, 3 de junho de 2011

...

Ruas escuras
Uma noite fria
Calçadas vazias
Passos se perdem
Mãos quase tocam
Cabelos se soltam
No vento esquecido
Será a eternidade?
Teu beijo me escapa
Estou tão longe de casa
Lembro que não tenho casa
Pego um ônibus, até o metrô

segunda-feira, 4 de abril de 2011

...

Amor sem nome, amor que não consome
Amor inteiro, amor que cala o desespero
Amor sem pressa, amor que nunca cessa
Amor latente, amor que todo dia aprende
Amor sem razão, amor que acalma o coração
Amor estranho, amor que entra nas entranhas
Amor sem definição, que só pode ser o que já é

sábado, 2 de abril de 2011

Vagar

No meio daquela tarde
Em um pedaço de cama
A lentidão fugaz
Do prazer de tocar
Invade os corpos
Nus
Aquecidos
Entorpecidos
No meio daquela tarde
Em um pedaço de sol
A liberdade inebriante
Do prazer de se entregar
Arrasta os corpos
Nus
Destemidos
Enternecidos
Naquele instante de calor
Cada pedaço se multiplica
Músculos tensamente relaxados
Contraem e enrijecem
Molham e se molham
Nus
Estendidos
Incandescidos
Naquele instante de fervor
Cada um
Dois
Absolvidos pela vontade
Sem culpa de estar
Conectados para o prazer
Naquele instante de ardor
Cada dois
Um
Absorvidos pela luz
Que delicada
Toca pedaços de pele
Na tarde daquele sol
Um pedaço de cama
Aquece as entranhas
Prepara o êxtase
Na tarde daquela cama
Um pedaço de sol
Espalha o desejo
Altera os sentidos
E transforma o tempo
Em um pedaço
De eternidade

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