quinta-feira, 1 de julho de 2010

Poema de amor

Eu
Te
Amo
Eu te
Amo
Eu
Te amo
Eu te amo

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Fim

Menti às vezes
Mas sempre foi
Para me protejer
De mim mesmo
E mais ainda
Acreditar
Em alguma coisa
Que não fosse eu

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Espera

Um mês
Ou ano
Um dia
Depois
Talvez
Os dois
Uma vez
Outra vez

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Desejos

Um dia a mais
A noite não alivia
Exaspera a espera
De um beijo a menos
Que a manhã não sacia

terça-feira, 22 de junho de 2010

Dispersão

Luzes
Noites
Passos
Traços
Corpos
Ruídos
Aflitos
Objetos
Dispersos
Em um...

Um lugar

A pipa não para
Voa, à toa
Dispara...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sempre

Só me pede tempo
E só, te peço tudo
Mas o tempo inexiste
Não posso te dar...

Só há o agora, eterno
É tudo que tenho, só
Nessa hora de agora
Para te dar...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Em pedaços

Não é lembrar o que se viveu antes que massacra os ossos.
Nem a tristeza de não ser mais agora que devora a pele.
É a saudade que mais demora de tudo que viria depois.
Naqueles anos todos que seriam delicadamente nossos.
Mas que nunca chegaram a ser por um instante de nós dois.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Sombras

Revelo escombros
E me escondo
Em tantos outros
Que não sou
Só uma beirada
Na noite virada
Não é outono
Perco o sono
À prestação
E sem ação
Nada presta de mim
Da vida emprestada
Que de fim em fim
Chega afinal
A ninguém

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

alívio

afinal não era amor
seria mais terno
infinito e eterno
se fosse amor
talvez

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Consumidos

Funcionários descartáveis
Supérfluos, intercambiáveis
Substituíveis por sistemas
Só continuam empregados
Por salários trocados
Pelas horas trabalhadas
Para adquirir os produtos
Produzidos nas corporações
Que com suas ações louváveis
Empregam milhões de pessoas
Que pagam os preços
Com seus baixos salários
Já embutidos
Na margem
De lucro bruto
Com as horas de serviço
Trocadas por mercadorias
Igualmente supérfluas
Escambo de vida por consumo
Antropofagia estéril
Em negócio atrativo
Socialmente responsável
Conscientemente sustentado
As corporações agradecem
Pelos excedentes
Que crescem e enriquecem
Seus dirigentes e presidentes
Aumentando as externalidades
E há sempre quem compre
Mais e mais produtos
Que logo viram lixo
Quase sempre não reciclado
Mas o planeta impassível
Absorve os dejetos, se adapta
Enquanto a humanidade
Insanamente humana
Consome a si mesma
Pouco a pouco
Até a extinção

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

salto

só me resta saltar
como um suicida
na vida...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

A tua ação

Corpos
Pulsantes
Entregues
Sem trégua
Na travessia
Do caminho
Invisível
De estar pronto
Todo dia
Dia a dia
Solidão revelada
Coletiva, inventiva
Pernas fincadas
Olhares focados
Nas mil faces
De um a um
Por si e só
Unidos
Na loucura
De ser e estar
Na jornada
Sem fim
A hora é aqui
No espaço
De agora
Pulsa a ação
A tua
Ação
De cada um
Em todos nós

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Percepção

Já não me olha mais
Nem me percebe mais
Enquanto se esquiva
Escrevo à deriva

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Diversidade


















Hoje à noite há uma festa
Pode ser São Paulo, Paris ou Nova Iorque
Música, comida, vinhos, objetos, pessoas

No aparelho de som, uma salsa
Na sala de visita, nenhum caribenho

Na mesa de jantar, frango tandoori
Na sala de visita, nenhum indiano

Na escrivaninha, uma escultura nigeriana
Na sala de visita, nenhum africano

Nas paredes, pinturas primitivas
Na sala de visita, nenhum indígena

Na TV de plasma, filme de Kiarostami
Na sala de visita, nenhum iraniano

Nos corpos, grifes fabricadas em Jacarta
Na sala de visita, nenhum indonésio

Na sala de visita todos são cultos,
poliglotas, progressistas, cosmopolitas,
irreverentes, inteligentes, sofisticados,
influentes, afluentes, libertários, originais

Na sala de visita todos são despojadamente iguais

Falta

Longe do perto
A espera de ontem
Na ausência de hoje
Relembrando amanhã
Distante de agora
A procura da hora
Demora...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Cidades visíveis

Carnes
Descartáveis
Cérebros
Inviáveis
Ossos
Dissolventes
Nervos
Impotentes
Resíduos
Inválidos
Destroços
Rasgados
Refugos
Refugiados
Restos
Humanos
Urbanos

Mapa dilatado, 2010: por Luciana Felippe

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Desaceleração

Sem tempo, o tempo dispara
Apressado, o tempo separa
Depois traz de volta, repara
E de tão lento, o tempo para
Ao mesmo tempo, desampara
Mas com o tempo, o tempo sara...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Terços do dia

Primeiro terço
Dia nasce
Ruido
Correria
Dia morre
Todo dia
Chega tarde
Alivia
Silencia
Amores
Possíveis
Passam

Segundo terço
No quarto

Livros
Roupas
Folhas
Amassadas
Restos
Poeira
Poetas
Filósofos
Matemáticos
Letras
Números
A noite para
Amores
Impossíveis
Escapam

Terceiro terço
Noite vai
Lenta
Insônia
Do mundo
Devaneio
Sem fim
Arde a dor
Nos olhos
Sem dor
Sem nada
Madrugada
Em tudo
Criado mudo
Desordenado
Sonâmbulo
No instante
Nasce o dia
Mais um dia
Amores
Invisíveis
Desaparecem

Primeiro terço
O sol
Aquece
Os ossos
Enternece
Os corpos
Que se vão
Inacabados
Mais um terço

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Redemoinho

Amor é desespero que dá desejo
Desejo é destempero que dá alento
Paixão é desalento que dá tormento
Ciúme é tormento que faz errante
Proximidade é erro que faz ausente
Ausência é desterro que faz silêncio

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