terça-feira, 31 de agosto de 2010

Olhos nus

Teus olhos
Fixos
Olham
Incertos
E se despem
Nos meus
Olhos

Meus olhos
Nus
Olham
Inquietos
E se acalmam
Nos teus
Olhos

Hipnose

Teus olhos
Não são
Verdes
Azuis
Castanhos
Ou negros
São apenas
Teus olhos
Que irradiam
Todas as cores
Silenciam
As vozes
Emudecem
As palavras
Confundem
Os sentidos
E num relance
Apagam
Tudo em volta
Que não são
Teus olhos

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Perdas e danos

Perdas
Sentidas
Nos anos
Partidos
Em danos
Corroídos
De enganos

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ilusionista

Seu corpo eu sei de cor
Aprendi a enganar a ausência
Com o artifício da memória

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Olhar

Teus olhos
Na luz
Da noite leve
Leva a noite
Ao instante breve
Dos meus olhos
Há tantos anos
Apressados
Insanos
E os faz parar
Só pra olhar
Sem pudor
Com tanto amor
O amor
Que se esconde
Na luz
Dos teus olhos

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Um amor só

Só tenho o prazer
De voltar ao começo
Mas chego ao meio
Do teu seio
Devaneio...
Entre tuas pernas
Sem estar, em nenhum lugar
Espero, desespero
Nada demais
E permaneço, sem saber ser
Um endereço, uma rua
Sem fim
Nem começo
No teu corpo
Assim...
Desse jeito, rarefeito
Desajeitado, em volta
Da vida, que não esgota
Nem uma gota
E inteira, sem nada em troca
Se alimenta, desse desejo
Tão sem fim
Nem volta...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Tatuagem

No seu toque
Há uma memória
Que nunca se apaga
Já faz parte do meu corpo

Sentidos

Procuro seu gosto
A saliva mistura
A boca se perde
Nos lábios passados
Sempre ao seu lado
Mesmo à distância
Sinto seus poros
Respiro sua pele
Na minha inconstância
Escuto uma voz
Que não me fala
Dos restos de nós
A espera dos dias
Sem nenhum som
Ouço o silêncio
Silencio...

domingo, 4 de julho de 2010

Quando para

O tempo passa, rápido
Você passou, eu fiquei
E os dias não passam

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Poema de amor

Eu
Te
Amo
Eu te
Amo
Eu
Te amo
Eu te amo

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Fim

Menti às vezes
Mas sempre foi
Para me protejer
De mim mesmo
E mais ainda
Acreditar
Em alguma coisa
Que não fosse eu

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Espera

Um mês
Ou ano
Um dia
Depois
Talvez
Os dois
Uma vez
Outra vez

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Desejos

Um dia a mais
A noite não alivia
Exaspera a espera
De um beijo a menos
Que a manhã não sacia

terça-feira, 22 de junho de 2010

Dispersão

Luzes
Noites
Passos
Traços
Corpos
Ruídos
Aflitos
Objetos
Dispersos
Em um...

Um lugar

A pipa não para
Voa, à toa
Dispara...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sempre

Só me pede tempo
E só, te peço tudo
Mas o tempo inexiste
Não posso te dar...

Só há o agora, eterno
É tudo que tenho, só
Nessa hora de agora
Para te dar...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Em pedaços

Não é lembrar o que se viveu antes que massacra os ossos.
Nem a tristeza de não ser mais agora que devora a pele.
É a saudade que mais demora de tudo que viria depois.
Naqueles anos todos que seriam delicadamente nossos.
Mas que nunca chegaram a ser por um instante de nós dois.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Sombras

Revelo escombros
E me escondo
Em tantos outros
Que não sou
Só uma beirada
Na noite virada
Não é outono
Perco o sono
À prestação
E sem ação
Nada presta de mim
Da vida emprestada
Que de fim em fim
Chega afinal
A ninguém

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

alívio

afinal não era amor
seria mais terno
infinito e eterno
se fosse amor
talvez

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Consumidos

Funcionários descartáveis
Supérfluos, intercambiáveis
Substituíveis por sistemas
Só continuam empregados
Por salários trocados
Pelas horas trabalhadas
Para adquirir os produtos
Produzidos nas corporações
Que com suas ações louváveis
Empregam milhões de pessoas
Que pagam os preços
Com seus baixos salários
Já embutidos
Na margem
De lucro bruto
Com as horas de serviço
Trocadas por mercadorias
Igualmente supérfluas
Escambo de vida por consumo
Antropofagia estéril
Em negócio atrativo
Socialmente responsável
Conscientemente sustentado
As corporações agradecem
Pelos excedentes
Que crescem e enriquecem
Seus dirigentes e presidentes
Aumentando as externalidades
E há sempre quem compre
Mais e mais produtos
Que logo viram lixo
Quase sempre não reciclado
Mas o planeta impassível
Absorve os dejetos, se adapta
Enquanto a humanidade
Insanamente humana
Consome a si mesma
Pouco a pouco
Até a extinção

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