Esqueço o antes
Abandono o depois
Dissolvo todas as horas
Ignoro tantas demoras
Multiplico todos os agoras
Para simplesmente estar
No tempo da eternidade
sábado, 19 de março de 2011
segunda-feira, 14 de março de 2011
café e esperança
tenho pulado almoço
atropelado jantar
sentido sede
tenho andado a pé
tomado chuva
buscado a fé
tenho observado as cores
atravessado as noites
virado os dias
tenho tropeçado em amores
escorregado em paixões
enganado as dores
tenho ignorado o tempo
apressado o vento
desafiado a razão
tenho perdido a mão
achado o sol
morado só
mas hoje tenho amado demais
vivido de café e esperança
e esquecido até do futebol
atropelado jantar
sentido sede
tenho andado a pé
tomado chuva
buscado a fé
tenho observado as cores
atravessado as noites
virado os dias
tenho tropeçado em amores
escorregado em paixões
enganado as dores
tenho ignorado o tempo
apressado o vento
desafiado a razão
tenho perdido a mão
achado o sol
morado só
mas hoje tenho amado demais
vivido de café e esperança
e esquecido até do futebol
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Bússola
Quero correr no vento da noite
Quero nadar na corrente do mar
Quero saltar da ponte mais alta
Quero sentir o vazio do ar
Quero atravessar o medo da estrada
Quero aprender decifrar teu olhar
Quero viver até o fim da madrugada
Quero ser outro pra poder te amar
Quero nadar na corrente do mar
Quero saltar da ponte mais alta
Quero sentir o vazio do ar
Quero atravessar o medo da estrada
Quero aprender decifrar teu olhar
Quero viver até o fim da madrugada
Quero ser outro pra poder te amar
Azul
O céu nem sempre foi azul
e só ficou azul por causa do mar.
O mar, com seus micro-organismos,
produziu a substância azulada do ar.
E o céu, em retribuição, coloriu o mar.
e só ficou azul por causa do mar.
O mar, com seus micro-organismos,
produziu a substância azulada do ar.
E o céu, em retribuição, coloriu o mar.
O amor
Tenho múltiplos interesses. Meu cérebro passeia por tantas áreas. Da astronomia à gastronomia. Numa velocidade espantosa. Caleidoscópica. Voo rasante sobre arte, ciência, filosofia, estupidez. Emaranhado em ecologias, economias, músicas instrumentais, geometrias fractais, cálculos diferenciais e integrais, tensões sexuais. Perdido pelo mundo. Cinema mudo, lutas de vale-tudo. Xadrez, francês, espanhol, futebol, direito ambiental. Até contabilidade social. São tantas rotas, itinerários, contas a pagar. Meu cérebro não para. A não ser quando escrevo. Porque escrevo só. Só com o coração. Lá onde toda minha trivialidade fica exposta. Onde tudo é tão irrelevante. Exceto o amor. Quando escrevo, só existe o amor. E do amor, não compreendo quase nada.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Espiral
Deslocado no tempo
espaço, só passo
vento, invento
um sol escasso,
alimento do vento
desinvento, o tempo.
espaço, só passo
vento, invento
um sol escasso,
alimento do vento
desinvento, o tempo.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Um
quero vagar pelo teu corpo
e abandonar meu corpo
inteiro no teu corpo
até o meu corpo
ser teu corpo
um corpo
corpo
só
corpo
um corpo
ser teu corpo
até o meu corpo
inteiro no teu corpo
e abandonar meu corpo
quero vagar pelo teu corpo
e abandonar meu corpo
inteiro no teu corpo
até o meu corpo
ser teu corpo
um corpo
corpo
só
corpo
um corpo
ser teu corpo
até o meu corpo
inteiro no teu corpo
e abandonar meu corpo
quero vagar pelo teu corpo
Fugidia
O rosto se esconde
A boca me ilude
O gesto confunde
Mãos se recolhem
Olhos se perdem
Tua pele não toca
As pernas se calam
Meus sensos não falam
Os corpos não agem
O tempo se esquece
O calor entorpece
A fala me expulsa
O desejo não escolhe
Meu coração pulsa
Escrevo irregular
Sem simetria
Você não pode ser
Fugaz como eu
Tento me dissipar
Sem nunca te beijar
Teu beijo me mata
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
...
Por trás de cada desencanto
Havia tanto em cada canto
Por trás de cada desencanto
Havia tanto em cada espanto
Por trás de cada desencanto
Havia tanto em cada pranto
Por trás de cada desencanto
Havia tanto em nós encanto
Havia tanto em cada canto
Por trás de cada desencanto
Havia tanto em cada espanto
Por trás de cada desencanto
Havia tanto em cada pranto
Por trás de cada desencanto
Havia tanto em nós encanto
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Retalhos
Às vezes vejo um pedaço dos teus cabelos. Ou a metade do teu rosto.
Um dia vi parte das tuas costas. Numa tarde vi o teu vestido.
Às noites vejo a sombra dos teus seios. Teus contornos.
Um dia vi parte das tuas costas. Numa tarde vi o teu vestido.
Às noites vejo a sombra dos teus seios. Teus contornos.
Ontem ouvi tua voz. Era madrugada. E o quarto vazio.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Memórias
Nada é mais livre do que o mar. Ninguém pode aprisionar o mar, que avança sobre os continentes. Impassível. Se me tornasse um prisioneiro e vivesse numa cela escura, alimentaria meus dias pela memória do mar. A simples lembrança do vento sobre o mar aberto, já seria suficiente para viver livre em qualquer lugar.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
...
Há vezes em que a força
de um amor é tão imensa
que não é possível repeti-la,
nem mesmo com a pessoa
objeto desse amor,
nunca mais...
domingo, 2 de janeiro de 2011
Pai e filha
Sempre que encontro Beatriz o coração dela dispara no abraço. E fica acelerado um tempo. O meu quase para. Só pra escutar o dela. Até que os dois corações se equilibram. Entram no mesmo compasso. Que fica retido na memória. Essa é a nossa linguagem.
domingo, 5 de dezembro de 2010
...
Muito prazer
meu nome é
solitário
libertário
com defeito
contrafeito
estrangeiro
prisioneiro
inviável
imprestável,
sempre inacabado.
meu nome é
solitário
libertário
com defeito
contrafeito
estrangeiro
prisioneiro
inviável
imprestável,
sempre inacabado.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Temporal
Ando na chuva, Rua do Glicério, centro velho. Chove forte.
Poças de água, carros engarrafados, motos, bicicletas, pedestres.
Homens espalhados pelo chão. Vento e água esfriam meu corpo.
A caminhada me faz transpirar. Mistura térmica desconfortável.
Acabo de descobrir um furo na minha bota. Meus pés começam a molhar.
A chuva aperta, o vento acelera. Meus passos diminuem.
Sons silenciam. Só escuto pensamentos. Burburinhos internos.
Não consigo parar de pensar. Imagens, sons, tudo na minha cabeça.
Minhas meias estão encharcadas. Piso num buraco. Desvio dos obstáculos.
Parados como fotos de jornal. Uma multidão sem rosto.
Todos iguais a mim. Tão diferentes de mim. Todos somos rostos.
Em que estarão pensando todos esses rostos? Não importa.
Roupas molhadas. Botas pesadas. Frio e calor. Chuva e suor.
O burburinho aumenta. Quatro horas da tarde. Esqueci de almoçar.
Não tenho fome. Um pouco de sede. Boca seca. Cabelo molhado.
Um rosto aparece. Na minha cabeça. Vejo seu sorriso em flashes.
Homens sem dentes sorriem também. Nas ruas. Mulheres seminuas acenam.
Estou no meio das prostitutas. Dez reais o programa. Subo a ladeira.
Rua 25 de março. Dia 16 de novembro. Camelôs se enfileiram. Não há espaço.
Vendedores de guarda-chuva. Dez reais também. Fico molhado. Não quero gastar.
Preciso economizar. Endividado. Contas atrasadas. Continuo a caminhar
Um mulher que deve ter sido bonita na juventude olha pra mim, olho pra ela.
Torço o pescoço, imagino sua juventude, paro. Mais chuva...
Meus olhos ardem, chuva ácida, minha pele queima no vento da chuva.
Sinto que estou me consumindo. Vou me dissipar. E seu morresse agora?
Estou sendo sugado pelos meus pensamentos. Minha desorganização triunfa.
Nem sei mais onde estou. Procuro um táxi. Congestionamento. Carros parados.
Não vale a pena. Continuo andando. O frio agora toma conta.
A caminhada é mais lenta. Queria ser outra pessoa por um instante.
Mas tudo que eu tenho sou eu. Sou apenas o que sou agora.
Toda minha vida se resume nisso. Se eu morresse nesse instante seria só isso.
Um homem, botas molhadas, roupas encharcadas, bolsa pesada.
Posso continuar caminhando sem parar, que vai dar exatamente na mesma.
Não há ninguém a minha espera. Nenhuma casa, nenhuma pessoa.
Nenhum animal de estimação. Meus filhos não estão mais comigo.
Não tenho mais ninguém. Nenhum lugar pra chegar. Nada a declarar.
Tenho só o meu corpo molhado no tempo e no espaço dessa tarde de chuva.
Estraguei meu paletó. Tudo que sou é essa tarde do dia 16 de novembro de 2010.
Poças de água, carros engarrafados, motos, bicicletas, pedestres.
Homens espalhados pelo chão. Vento e água esfriam meu corpo.
A caminhada me faz transpirar. Mistura térmica desconfortável.
Acabo de descobrir um furo na minha bota. Meus pés começam a molhar.
A chuva aperta, o vento acelera. Meus passos diminuem.
Sons silenciam. Só escuto pensamentos. Burburinhos internos.
Não consigo parar de pensar. Imagens, sons, tudo na minha cabeça.
Minhas meias estão encharcadas. Piso num buraco. Desvio dos obstáculos.
Parados como fotos de jornal. Uma multidão sem rosto.
Todos iguais a mim. Tão diferentes de mim. Todos somos rostos.
Em que estarão pensando todos esses rostos? Não importa.
Roupas molhadas. Botas pesadas. Frio e calor. Chuva e suor.
O burburinho aumenta. Quatro horas da tarde. Esqueci de almoçar.
Não tenho fome. Um pouco de sede. Boca seca. Cabelo molhado.
Um rosto aparece. Na minha cabeça. Vejo seu sorriso em flashes.
Homens sem dentes sorriem também. Nas ruas. Mulheres seminuas acenam.
Estou no meio das prostitutas. Dez reais o programa. Subo a ladeira.
Rua 25 de março. Dia 16 de novembro. Camelôs se enfileiram. Não há espaço.
Vendedores de guarda-chuva. Dez reais também. Fico molhado. Não quero gastar.
Preciso economizar. Endividado. Contas atrasadas. Continuo a caminhar
Um mulher que deve ter sido bonita na juventude olha pra mim, olho pra ela.
Torço o pescoço, imagino sua juventude, paro. Mais chuva...
Meus olhos ardem, chuva ácida, minha pele queima no vento da chuva.
Sinto que estou me consumindo. Vou me dissipar. E seu morresse agora?
Estou sendo sugado pelos meus pensamentos. Minha desorganização triunfa.
Nem sei mais onde estou. Procuro um táxi. Congestionamento. Carros parados.
Não vale a pena. Continuo andando. O frio agora toma conta.
A caminhada é mais lenta. Queria ser outra pessoa por um instante.
Mas tudo que eu tenho sou eu. Sou apenas o que sou agora.
Toda minha vida se resume nisso. Se eu morresse nesse instante seria só isso.
Um homem, botas molhadas, roupas encharcadas, bolsa pesada.
Posso continuar caminhando sem parar, que vai dar exatamente na mesma.
Não há ninguém a minha espera. Nenhuma casa, nenhuma pessoa.
Nenhum animal de estimação. Meus filhos não estão mais comigo.
Não tenho mais ninguém. Nenhum lugar pra chegar. Nada a declarar.
Tenho só o meu corpo molhado no tempo e no espaço dessa tarde de chuva.
Estraguei meu paletó. Tudo que sou é essa tarde do dia 16 de novembro de 2010.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Sem estações
Não me lembro dos últimos novembros
Quantos sóis delicados, céus azulados?
Quantas nuvens aflitas, chuvas amargas?
Sinto falta dos próximos setembros...
Ah, se eu pudesse apagar todos os dezembros!
Quantos sóis delicados, céus azulados?
Quantas nuvens aflitas, chuvas amargas?
Sinto falta dos próximos setembros...
Ah, se eu pudesse apagar todos os dezembros!
sábado, 13 de novembro de 2010
Acaso
Do compartilhamento
Ao estranhamento
Do acolhimento
À indiferença
Tudo se vai
Fica vazio
E agora?
Novos amores
Velhas esperanças
Outra vida
Outra pessoa
Um mal entendido
Dois desconhecidos
O que nos tornamos afinal?
Ao estranhamento
Do acolhimento
À indiferença
Tudo se vai
Fica vazio
E agora?
Novos amores
Velhas esperanças
Outra vida
Outra pessoa
Um mal entendido
Dois desconhecidos
O que nos tornamos afinal?
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Remendo
Quando nada dá certo
descompasso o verso
desconcerto o passo
desconverso a coisa
descoiso a forma
invento palavra
invario ponto
inverto sinal
virgulo sujeito
separo predicado
desenho uma letra
arranjo, enfim, um final
e tudo fica assim, errado.
descompasso o verso
desconcerto o passo
desconverso a coisa
descoiso a forma
invento palavra
invario ponto
inverto sinal
virgulo sujeito
separo predicado
desenho uma letra
arranjo, enfim, um final
e tudo fica assim, errado.
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